Compra e Venda 11/05/2020

Portabilidade do financiamento imobiliário: como funciona e quais são as vantagens

A queda na taxa de juros e a redução dos custos de financiamento da casa própria tornaram a portabilidade do crédito imobiliário mais vantajosa em 2019 e promete ser uma das opções mais acessadas pelo brasileiro em 2020.

Para se ter uma ideia, de acordo com o Banco Central, houve um crescimento de 175% na transferência da dívida de um banco para outro em 2019 em comparação a 2018. Esse número representa um aumento de R$ 1,46 bilhão, comparado ao mesmo período do ano anterior. Já as taxas cobradas sobre novos financiamentos, que eram de 9,3% em 2014, atualizaram para 7,2% ao ano.

Levando em conta que o prazo para quitação do financiamento é relativamente extenso, a portabilidade do crédito imobiliário é uma grande oportunidade para os proprietários de imóveis, pois ela leva em conta as taxas de juros correntes.

Ficou interessado na opção? Existem algumas regras para que a transação possa ser realizada, mas o mais importante é entender se ela realmente é relevante para você.

Leia este artigo e compreenda mais o assunto!

O que é portabilidade do financiamento imobiliário?

Portabilidade do financiamento imobiliário é um serviço em que você pode transferir a linha de crédito adquirida para compra de um apartamento ou de uma casa de um banco para o outro.

A possibilidade de mudar de instituição financeira é interessante quando outra instituição financeira oferece taxas de juros e condições de pagamento mais adequadas ao seu perfil.

Os motivos que tornam a portabilidade atraente e, portanto, todos devem ficar atentos são a queda da Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), taxa básica de juros da economia brasileira e da TR (Taxa Referencial) e o fator de correção monetária utilizada também em empréstimos.

Esses dados levam a uma competitividade maior entre os bancos, o que contribuiu para uma oferta melhor de serviços aos clientes.

Como funciona a portabilidade do financiamento imobiliário?

Realmente, a portabilidade do financiamento imobiliário é uma opção extraordinária que facilita a aquisição ou quitação de um imóvel de forma ainda mais tranquila.

Mas para que possa ser feita, é preciso que o serviço atenda a algumas regras, de acordo com a Resolução 4.292/2013 do Banco Central. Veja abaixo quais são:

  • o número de prestações e o valor total do financiamento não podem aumentar;
  • o valor da prestação só pode ser alterado mediante autorização do cliente;
  • o cálculo do novo valor do saldo devedor é de responsabilidade do banco que receberá o financiamento e deve ser baseado no Custo Total Efetivo;
  • caso queira, o cliente tem o prazo de dois dias para desistir do novo negócio;
  • o mesmo período de dois dias é estabelecido para que o banco de origem libere os dados do financiamento à nova instituição;
  • as regras do contrato original não podem ser alteradas. Por exemplo, se o financiamento foi feito pelo SAC — Sistema de Amortização Constante, não pode ser modificado para o Sistema Price.

Algo que acaba sendo utilizado pelos bancos para oferecer melhores condições de juros é orientar que o cliente estabeleça uma relação com a nova instituição. Isso acontece através da contratação de seguros, cartões de créditos, entre outros serviços.

Considerada como “venda casada”, além de não ser uma prática adequada, não pode estar atrelada à portabilidade do financiamento imobiliário. A mesma atenção vale com o banco de origem, que não pode cancelar produtos e serviços contratos inicialmente em decorrência da migração.

Como realizar a mudança de instituição financeira?

Considerando que a portabilidade do financiamento imobiliário tem como objetivo permitir que você se beneficie de juros e condições de pagamentos mais favoráveis, o primeiro passo é identificar o banco com as melhores ofertas.

Feito isso, você deve entrar em contato com instituição financeira com a qual fechou o contrato de crédito inicialmente e solicitar um extrato com o valor que resta quitar. 

A dica é pedir que esse cálculo seja feito como se fosse antecipar o pagamento total do financiamento. Desse modo, os juros dos meses seguintes serão excluídos e você terá somente a quantia que realmente deve ser paga.

Aqui, é importante ressaltar que tanto o banco de origem quanto o de destino não podem cobrar pela portabilidade do financiamento imobiliário. Os gastos decorridos da migração referem-se apenas às taxas de cartório e da emissão de um novo contrato. 

No entanto, não é raro que o imóvel objeto do crédito precise passar por uma nova avaliação para confirmação do seu preço de mercado. Essa nova análise pode gerar custos para o proprietário.

Quando a portabilidade do financiamento imobiliário vale a pena?

Até aqui tudo pareceu bastante burocrático, certo? Ainda que seja, saiba que a portabilidade do financiamento imobiliário pode lhe trazer muitas vantagens.

Como mencionado várias vezes no decorrer deste texto, a principal delas é se beneficiar com condições de pagamento e juros mais adequados ao seu perfil e à sua realidade. 

Além disso, não se pode deixar desconsiderar que um bom atendimento e a certeza de poder contar com suporte da instituição financeira durante todo o processo faz toda a diferença, concorda? Afinal, estamos falando de um relacionamento de longo prazo, e esses diferenciais pode ser conquistados com a troca de banco.

Ainda assim, será que a migração é a melhor opção para você? O primeiro passo para chegar a essa resposta é observar o CET, Custo Efetivo Total, que será praticado pelo novo banco.

Trata-se da soma de diferentes taxas e juros. No caso de um financiamento imobiliário pode incluir também seguro em caso de invalidez permanente ou morte.

Outro ponto de análise são as taxas administrativas da nova instituição financeira. Baseadas no prazo total do financiamento e na idade do titular, vale lembrar que o valor cobrado difere de seguradora para seguradora. Por isso, é possível que você encontre cobranças bem diferentes.

Agora que sabe de tudo isso, a portabilidade do financiamento imobiliário se tornou algo interessante para você? Então procure um banco que ofereça melhores condições e avalie bem a oferta antes de fechar o contrato.O mais importante de tudo isso é que consiga adquirir o imóvel dos sonhos da melhor maneira possível para você e para a sua família!